quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Virtuosismo, feeling e improviso

Porto Alegre teve a satisfação de assistir, no último domingo, no Teatro do Bourbon Country, ao excelente jazzista cubano Arturo Sandoval e ao quinteto formado pelos exímios músicos Manuel Valera (piano), Dewayne Pate (baixo), Philbert Armenteros (percussão) e Charles McNeill (saxofone).

Vencedor de 4 Grammys, 6 Billboard Awards e 1 Emmy Award, Arturo, que até certo ponto da carreira só podia apresentar-se fora de Cuba se autorizado por Fidel Castro, radicou-se nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, onde iniciou parceria com seu mentor Dizzy Gillespie.

Arturo impressionou o público arrancando notas agudas e gravíssimas de seu trompete em um único fôlego, além de demonstrar seu já conhecido domínio do piano e do flugelhorn. O multi-instrumentista, que passou o show inteiro sem beber um só gole d’água, brincou nos teclados, na percussão e nos vocais, onde mostrou ser um brilhante scat singer.

O repertório foi o que se pode chamar de “best of” de sua carreira, com predominância do jazz latino e do bop, perpassando baladas, releituras e passagens de clássicos (como Smoke Gets in Your Eyes e O Fantasma da Ópera) e músicas de gênero mais pulsante, como a rumba. Ao final de cada número notava-se a entusiasmada resposta do público que compareceu em ótimo e surpreendente número ao espetáculo que teve noventa minutos de duração.

Arturo Sandoval é um gigante que traduz sua genialidade em um jazz forte, vibrante e nada tedioso ao se divertir nos registros mais altos de seu trompete.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Be be bop bop

Acho que o final de semana vai ser bem movimentado. O calor deve ajudar as pessoas (entre as quais me incluo) a se animarem a colocar o nariz na rua. Vontade imensa de chacoalhar o esqueleto.


Mas o assunto é o Grenal, logicamente. Não poderei ir ao Beira-Rio desta vez, já que estarei me preparando para assistir ao jazz de Arturo Sandoval, no Teatro do Bourbon Country. Postarei a resenha aqui na segunda-feira.

Bom fim-de-semana. =)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Whiplash

O post abaixo foi também publicado no Whiplash.net.
Link: http://whiplash.net/materias/shows_users/097143-livingcolour.html

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Still Vivid

Fiquei sabendo do show do Living Colour de última hora. Pensei um milhão de vezes “vou ou não vou?” – a idade pesando, talvez. Previsão de temporal, preguiça, falta de parceria, essas coisas. Resolvido o problema da companhia, fui comprar meu ingresso (que custou módicos R$ 50,00). Pô, eu estava me esquecendo do quanto gosto dessas funções de show de rock and stuff.

Pois então. Eu sabia que seria um BAITA show (considerando o background dos caras e o álbum recém-lançado, The Chair in the Doorway, um dos top 3 de 2009), mas ainda assim fui surpreendida por tudo o que vi e ouvi. Foi tão bom, mas TÃO BOM que fica difícil escrever alguma coisa aqui, mas também por isso não pude deixar passar em branco.



Tentando resumir bem resumidinho, eu diria que foi um paredão black de rock pesado, com muitas fusions envolvendo soul, funk, jazz, hip hop, hard rock e metal – característica da banda, como sabemos. Músicos excelentes em presença, feeling, virtuosismo (nunca tinha visto palhetada sequer parecida com a do veloz Vernon Reid), simpatia, carisma, bom gosto e muita comunicação com o público. Estavam visivelmente muito felizes, mas não mais que nós, a plateia risivelmente boquiaberta. Tocaram músicas de todos os álbuns e ainda nos deliciaram com covers pesadíssimos de Papa Was a Rollin’ Stone, Hound Dog e Should I Stay or Should I Go. Registro, ainda, o solo de bateria mais divertido que já testemunhei, com o Opinião às escuras e apenas as pontas luminosas e multicoloridas das baquetas de Will Calhoun riscando o ar.

A certa altura, o excelente-carismático-muito em forma baixista Doug Wimbish desceu do palco e se juntou aos babões de plantão, tirando solos que pareciam vir de uma guitarra. Daria um belo mosh ao final do show que teve 2h de duração (e mais 20min de bis), e que seria seguido de uma sessão de fotos e autógrafos na entrada no bar.

Em suma: o Living Colour e seu novo disco (que não tem sequer uma faixa meia-boca) merecem muito mais atenção do que as bandas “modernas” desse mundinho hype repetitivo. Yo!

Blog Action Day '09: Climate Change

É hoje o Blog Action Day, dia em que os blogs participantes lançam seus posts sobre o assunto escolhido para a data: climate change (www.blogactionday.org). Achei a ideia muito bacana e me inscrevi. Agora preciso escrever sobre o tema.

A preservação do meio ambiente é algo que despertou meu interesse relativamente cedo, quando eu tinha uns 9 ou 10 anos. Fiz um “clubinho” na vizinhança, do qual participava a piazada que me ajudava a (tentar) conscientizar os adultos das coisas que devíamos fazer e evitar para que o planeta não se exaurisse por conta da raça humana. Lembro que na época a palavra ecologia estava na crista da onda.

Afiliei-me ao Greenpeace com doze anos, e contribuo com a organização mensalmente até hoje. Acho incrível o trabalho deles, que consiste em falar pouco e fazer muito. Dão a cara a tapa, muitas vezes até mesmo colocando suas vidas em risco.

Assim, como a grata tarefa é escrever sobre o clima, vou pegar carona no trabalho do Greenpeace. O site é muito bacana – recomendo.

"Qualquer pessoa pode sentir na pele que algo anda errado com o clima. A garoa anda sumida de São Paulo. No Sul do Brasil, chuvas intensas têm se alternado com períodos de seca extrema. Na Amazônia, a regularidade do regime de chuvas agora é marcada pela instabilidade. No resto do mundo, geleiras estão derretendo e furacões e tufões ficando mais intensos e frequentes. O aumento do calor é mais do que uma sensação. É uma constatação científica. Entre 1998 e 2007, ocorreram sete dos dez anos mais quentes registrados desde 1850. Com a temperatura média mais alta, a capa de gelo do Ártico perdeu cerca de 30% da superfície que tinha ao fim da década de 70. A subida dos termômetros e o derretimento da calota polar coincidem com o aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Em 1950, ela era de pouco menos de 280 partes por milhão. E pelas estimativas da Nasa, em 2009, pode chegar a 390 partes por milhão. Em condições naturais normais, isto é, sem a contribuição humana, esse grau de concentração levaria 5 mil anos para acontecer.

Causas das mudanças climáticas: pouco é frio, muito é quente demais


O gás carbônico (CO2) misturado ao vapor d’água (H2O), outros gases como o metano e os CFCs formam uma grande 'sopa' gasosa que aprisiona a radiação solar, esquentando a Terra. Esse fenômeno é conhecido como 'efeito estufa'. Em condições normais, ele é fundamental para manter a vida no planeta. A questão é que, como diz o ditado, tudo o que é demais, faz mal.
Apesar de parecer complicado, a lógica da atmosfera pode ser entendida de maneira bem simples: pouco carbono, menos radiação armazenada, menos calor; muito carbono, mais radiação aprisionada, mais quente a Terra. Nos últimos 150 anos, os seres humanos têm alterado a proporção desses gases de forma muito acelerada. Essa transformação se dá principalmente de duas formas.


O subsolo estoca, há milhões de anos, carbono em forma de petróleo, carvão mineral e gás natural, os chamados combustíveis fósseis. Essas substâncias são restos de grandes florestas do passado (no caso do carvão) e de outros compostos orgânicos (o petróleo) que, ao longo dos milênios, foram soterrados e se modificaram quimicamente. Quando estes combustíveis são queimados para gerar energia e alimentar nossos carros, casas e fábricas, esse carbono volta à atmosfera.

A outra forma de alterar a sopa gasosa que nos envolve é liberando os estoques de carbono aprisionados nos ecossistemas terrestres, como as florestas. As mudanças que o homem faz na terra, principalmente com o desmatamento e a agricultura, lançam no ar, por apodrecimento ou queima, o carbono guardado nas plantas e no solo. A agricultura é responsável ainda pela liberação de outro gás-estufa: o metano, 21 vezes mais potente que o gás carbônico quando o assunto é retenção de calor." (adaptado de www.greenpeace.org/brasil)

Todos sabemos o que fazer. ;)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Buena onda!

Anteontem fez 1 ano do show do Mötley Crüe em Buenos Aires. Vânia e Roxy me receberam exemplarmente, como de costume.

O show foi ótimo, mesmo com todo aquele dilúvio. Nossa, e põe dilúvio nisso. Aliás, era um legítimo temporal, com direito a ventania e a chuva (frontal!) gelada. Inesquecível por isso e por outros detalhes.

Era véspera da minha mudança para São Paulo, e este foi um elemento emocional que deu um ar mais dramático a tudo o que vivi naqueles dias. Aprendi muitas coisas, mas, no fim das contas, as boas lembranças e as risadas daí decorrentes se sobrepõem a qualquer chateação - e estou certa de que a galera toda que embarcou nesta viagem compartilha da minha opinião. Lots of fun, after all. ;)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Amor


Acabo de ouvir o último álbum de estúdio do Echo & The Bunnymen, “The Fountain”, a ser lançado no próximo dia 12. Sempre sinto um friozinho na espinha ao me preparar para uma audição inédita dos nossos amigos Ian McCulloch e Will Sergeant. Desta vez, os arrepios se multiplicaram ao longo de todas as faixas do disco que teve produção de John McLaughlin e participação (dispensável?) de Chris Martin, do Coldplay.

Já declarei neste blog meu amor pela dupla do Echo & The Bunnymen. Ian me fez chorar (in a good way) sempre que o ouvi ao vivo – e muitas vezes através do aparelho de som. Não me importa nenhum tipo de análise acadêmica sobre a banda. Aprecio o que me atinge assim, diretamente no estômago.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Feliz aniversário, Johnny



Sentimos muito a sua falta.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Chaos reigns!

Conforme havia comentado no twitter, ontem fui assistir à última aventura do diretor dinamarquês Lars Von Trier, “Anticristo”. Não pense que se trata de terror, a coisa é bem mais complexa. Sem dúvida foi o filme mais pesado que já vi, com grandes chances de manter o posto por muito tempo (o que não é, necessariamente, defeito).

O diretor, em profunda crise de depressão, passara a questionar sua capacidade de fazer filmes. Decidiu se testar, e o resultado foi “Anticristo”. Culpa, violência, agressividade, automutilação, sexo, religião e paganismo tomam a tela em proporções fantásticas e por vezes insuportáveis. Fica claro que Von Trier não está nem aí para o público. O filme não faz nenhum tipo de concessão, e inclui cenas sem finalidade lógica, conforme declarou seu próprio criador (talvez porque muitas delas baseiam-se em sonhos que o diretor teve durante a doença). Falando em concessões, recomendo (por que não?) doar cerca de R$ 10,00 e 120min à obra. Vale.

Acho Von Trier um cara brilhante. Digo isso sem olhar especificamente para seus enredos (que você pode considerar malucos demais), mas com base no modo com que ele conta as histórias, sejam elas quais forem. O que se vê é sempre uma majestosa fotografia, uma beleza “peculiar”, intrigante (no mínimo). Ele definitivamente sabe o que fazer com uma câmera na mão. A crítica não curtiu muito o filme, e houve até uns ataques de moralismo por parte de alguns jornalistas presentes em Cannes.

Não vou adentrar em mais detalhes sobre filme. O que eu queria mesmo dizer, after all, é que sempre me chama a atenção o fato de que obras de cineastas considerados “geniais” largam com vantagem tanto na corrida por uma boa quanto por uma má impressão popular. O público em geral já entra predisposto a achar ótimo (porque, afinal, o diretor é cult) ou a achar horrível (pelo mesmo motivo, e é cool ser do contra). Parece-me, também, que as pessoas têm uma tendência a achar bons filmes que não entendem. Dizem secretamente para seus botões: “Que filme doido, não entendi nada. Então deve ser bom!”. Lógico, não é regra, apenas uma impressão que resolvi registrar aqui.

Beijos, inté.

Monteiro Lobato

"O sábio na vida é usar a moderação em todas as coisas. Uma loucurinha de vez em quando tem sua graça; mas uma loucura varrida é um desastre - e acaba sempre em hospício ou gaiola."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

Já volto para contar novidades. =)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Van Gogh writing his brother for paints
Hemingway testing his shotgun
Celine going broke as a doctor of medicine
the impossibility of being human
Villon expelled from Paris for being a thief
Faulkner drunk in the gutters of his town
the impossibility of being human
Burroughs killing his wife with a gun
Mailer stabbing his
the impossibility of being human
Maupassant going mad in a rowboat
Dostoyevsky lined up against a wall to be shot
Crane off the back of a boat into the propeller
the impossibility
Sylvia with her head in the oven like a baked potato
Harry Crosby leaping into that Black Sun
Lorca murdered in the road by Spanish troops
the impossibility
Artaud sitting on a madhouse bench
Chatterton drinking rat poison
Shakespeare a plagiarist
Beethoven with a horn stuck into his head against deafness
the impossibility the impossibility
Nietzsche gone totally mad
the impossibility of being human
all too human
this breathing
in and out
out and in
these punks
these cowards
these champions
these mad dogs of glory
moving this little bit of light toward us
impossibly.


Charles Bukowski, Beasts Bounding Through Time, 1986

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Free Polanski!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Always on my mind

"Um dos mais bonitos pedidos de desculpa já produzidos pela cultura pop foi ‘always on my mind’.

Na voz do Elvis ou dos Pet Shop Boys, aquelas simples palavrinhas têm um poder terapêutico impressionante. Poucas canções românticas conseguem trazer consigo tantos sentimentos honestos ao mesmo tempo.

Arrependimento e humildade:
Maybe I didn't treat you quite as good as I should have
Maybe I didn't love you quite as often as I could have
Little things I should have said and done and I just never took the time
Saudade e declaração de amor
Maybe I didn't hold you all those lonely, lonely times
And I guess I never told you I'm so happy that you're mine

Exposição de prioridades claras:
If I made you feel second best, girl, I'm sorry I was blind

Força de vontade e esperança de recomeço:
Tell me, tell me that your sweet love hasn't died
Give me, give me one more chance to keep you satisfied


E a confissão:
You are always on my mind

‘Always on my mind’ é a música que eu cantaria se a mim coubesse pagar o mico de cantar num karaokê, como naqueles filmes românticos em que o bar está lotado e os amigos começam a gritar o nome da gente pra ir lá na frente cantar. Ah, eu iria quebrar a perna de todos eles com minha interpretação intimista de ‘always on my mind’, e queria terminar como James Brown fazia, com um joelho no chão e cabeça baixa, transmitindo a idéia de fragilidade. Seria legal se nessa hora alguém viesse e cobrisse minhas costas com a toalha de uma das mesas enquanto aquela enxurrada de aplausos tomasse conta do ambiente.


Essa é uma daquelas canções que, se a gente fecha os olhos e imagina com força, consegue ver a cena inteira. Trata-se de alguém que machucou outro alguém e voltou para pedir desculpas, para dizer que, ao final das contas, a intenção não era fazer o mal e machucar, além de dizer que tem esperanças que as coisas ainda possam dar certo. Dá até pra sentir o toque suave da mão de quem pede desculpas acariciar a mão de quem foi machucado e está magoado.

Pedir desculpas é um gesto que exige uma reflexão interna intensa. É preciso reconhecer as feridas que a gente causou e ter humildade para externá-las. Muita gente não gosta de ver as feridas que causa nos outros, fingindo serem elas, afinal, parte da vida e que cada um tem que cuidar das suas. Não funciona assim, não.

Sempre que você puder pedir desculpas a quem ama, peça. É o amor que fez com que ela estivesse ‘always on your mind’, certo?
Termino com uma citação anônima interessante: It may be no more than a memory, but if it is a worthy one I shall not regret the price."

terça-feira, 22 de setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

"A palavra é o fio de ouro do pensamento"

Pode ser um pouco angustiante pensar em quanta coisa interessante vai passar longe dos nossos sentidos até o inexorável último suspiro. Pessoas, lugares, músicas, todo tipo de originalidade e de lugar-comum. Mas é sobre literatura que gostaria de falar.

Das artes mais “acessíveis” (muitas reticências aqui...), a literatura é a que demanda mais tempo para ser consumida. Claro que um bom disco (ou qualquer tipo de manifestação artística) pode demorar anos até ser bem entranhado, mas o primeiro contato que requer um tempo mínimo maior sem dúvida é a leitura de um livro: deve-se gastar no mínimo uma hora na chance que decidimos dar ao escritor para que prenda nossa atenção.

Nunca achei que a escolha de um volume deva ser feita ao acaso. Ao contrário: como disse, não temos todo o tempo do mundo, há muita coisa boa por aí. E sabemos como é frustrante ler um livro mal escrito. Como selecionar? O acaso deve ser desprezado, penso; a intuição, não. Pessoalmente, sigo um conselho dado pelo meu pai no início da minha vida de alfabetizada: “leia os clássicos”.

Por motivos óbvios, a leitura de um clássico tem muito menos chances de frustrar o leitor. Sobre este tema, Calvino escreveu um artigo cujos preceitos transcrevo abaixo:

1. Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo..." e nunca "Estou lendo...".

2. Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela primeira vez nas melhores condições de apreciá-los.

3. Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.

4. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.

5. Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.

6. Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.

7. Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes).

8. Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe.

9. Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.

10. Chama-se clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs.

11. O "seu" clássico é aquele que não pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a você próprio em relação e talvez em contraste com ele.


12. Um clássico é um livro que vem antes de outros clássicos; mas quem leu antes os outros e depois lê aquele, reconhece logo o seu lugar na genealogia.

13. É clássico aquilo que tende a relegar as atualidades à posição de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse barulho de fundo.

14. É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível.

"Resta o fato de que ler os clássicos parece estar em contradição como nosso ritmo de vida, que não conhece os tempos longos, o respiro do otium humanista; e também em contradição com o ecletismo da nossa cultura, que jamais saberia redigir um catálogo do classicismo que nos interessa."

Ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos. Na última tentativa de sensibilizar o leitor sobre a valia do esforço, Calvino finaliza o artigo citando Cioran:

"Enquanto era preparada a cicuta, Sócrates estava aprendendo uma ária com a flauta. 'Para que lhe servirá?', perguntaram-lhe. 'Para aprender esta ária antes de morrer'".

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Arte moderna

Vi isso no orkut de um amigo. Legal, né? =)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A virginianos e piscianos

Saturno caminha para a saída, o que é alívio para muitos

- Eunice Ferrari

"Desde o dia 17 de maio deste ano, o planeta Saturno, que neste momento se encontra no signo de Virgem, começou seu movimento direto pela terceira vez, ou seja, caminha em direção à porta de saída desse signo, entrando em seguida no signo de Libra. Virginianos, piscianos, sagitarianos e geminianos, sol, lua ou ascendente sentir-se-ão aliviados com essa mudança de energia. Em 25 anos de astrologia, nunca presenciei uma estada de Saturno tão pesada como esta.

Como terapeuta, há pouco mais de dois anos (Saturno fica aproximadamente dois anos e meio em cada signo) participei quase que diariamente do sofrimento, das perdas e da depressão desencadeada por esse planeta especialmente em virginianos e piscianos. Agora, com o movimento em direção à porta de saída, Saturno vai estruturando e colocando em seu lugar, lenta e definitivamente, tudo o que foi arrancado. Certamente nada será como era, pois a grande lição que se tem a aprender em trânsitos como esse é que a vida deve ser renovada todo tempo.

O que não faz mais sentido foi arrancado e atirado longe e, quanto mais teimosa for a pessoa, mais apegada e arrogante em não aceitar as mudanças da vida, mais difícil o transito se torna. Ficar preso em emoções do passado apenas intensifica e prolonga os momentos de dor. Neste momento em que fica apenas o que de fato vale a pena, é importante estar atento para todas as oportunidades de reconstrução que essa despedida de Saturno traz. Sim, porque elas virão aos montes.

O símbolo de Saturno é o de uma caveira com sua foice, pois Saturno tem tudo a ver com os processos de morte e renascimento. Como não existe nascimento sem dor, é através dela que aprendemos as lições que este pai severo tem a nos ensinar. Saturno é Chronos, o Senhor do Tempo e, necessariamente, em trânsitos como este aprendemos a suportar a impotência, a tolerância e a profunda paciência. Aprendemos através de duras lições que nossa vontade é bem limitada quando o Universo decide nos dizer "não". Afinal, quase nada chega quando queremos, mas quando deve chegar.

Impotência, limite, frustração, desespero, depressão, mas também organização, disciplina, rigor, severidade, todas essas qualidades são desenvolvidas através das lições de Saturno. A partir de outubro, nosso mestre sai de Virgem, retornando brevemente em meados de abril do próximo ano. Mas librianos, arianos, cancerianos e capricornianos, sol, lua ou ascendente não precisam ficar muito preocupados, pois Saturno é o segundo regente de Libra e por isso sua passagem por esse signo não fará um estrago tão grande quanto ele fez estando em Virgem.

Com Saturno em Libra os relacionamentos passam por uma espécie de transformação profunda que vai mexer intensamente com a maneira pela qual todos estamos nos relacionando. Se é que podemos dizer que estamos de fato nos relacionando. Os medos da entrega e do encontro com o amor profundo virão todos à tona e, no final, que sempre é feliz, poderemos presenciar muitos casais felizes e realizados no encontro com uma nova forma de amar. A vida segue em frente sempre, independente de nossa vontade e no tempo que ela mesma determina. Portanto, só nos resta aprender a dançar no mesmo ritmo e tempo que ela."

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ghost

Patrick Swayze morreu hoje. Que coisa.

O famosíssimo Ghost foi um filme que não me impressionou muito na época, ao contrário de Dirty Dancing. Assisti no colégio. Estava na quinta série. Quem rodou a fita pra gente foi a Patrícia, ótima professora de inglês e português.

Fiquei vidrada em tudo: na trilha, nos personagens, nas cores. Mas foi a história de amor que me pegou pelo estômago. Percebi que o que via no televisorzinho velho das freiras coincidia com uma idealização de amor romântico que eu nem sabia que tinha começado a construir. A música que postei abaixo (She's like the wind) ilustra bem o clichê (e daí que é clichê?) da mulher que quer ser tomada pela mão e ouvir que tudo vai dar certo.

Será que o velho fetiche do amor eterno atrapalha a vida real?